Morte assistida é a vida da vizinha

Agora que o parlamento chumbou a despenalização da morte assistida, muitas mulheres neste país devem ser constituídas arguidas – bullying da vizinha idosa é o passatempo delas.

Aliás, o estado português devia ser constituído arguido, por estar-se nas tintas para a violência diária na sociedade tuga – bullying, violação, violência doméstica.
Mas – a verdade deve ser dita – a violência é muito boa para os números de visualizações de SIC e TVI.

Na sua rúbrica diária sobre crime o Goucha hoje falou sobre o caso dum pai que foi ilibado de ter cometido crime por que – se percebi bem – ‘o mesmo nem sabia que cometeu crime quando obrigou ao próprio filho (14) a fazer sexo oral‘.
A polícia que o levou em custódia, pensava que era crime. Aliás, todo o mundo pensa que é crime. ‘Errado,’ disse o juiz, ‘o pobrezinho não sabia que é crime, coitadinho.’

‘Não sabia,’ fiz beicinho para com o agente que me escreveu uma multa porque o meu carro não podia estar no sítio onde estava estacionado. Encolhendo os ombros respondeu: ‘Todos os cidadãos devem conhecer a lei.’
Exceto criminosos, devia ter acrescentado. Um lapso dele? Uma lacuna no treinamento da bófia?

O Goucha também estava muito preocupado com o risco que a violência se torna ‘normal’ em Portugal…
Desculpa?
Não, não foi um apelo por mais violência, a fim de garantir os números de visualizações do seu programma. Pelo menos, acho que não.
Acho que estava a ser sincero. Nesse caso, concordo plenamente: a violência torna-se normal na sociedade portuguesa.
A melhor prova para isso: o controle da violência já não é uma prioridade. Nem do governo, nem do parlamento. A prioridade tuga parece: deixar/fazer os cidadãos – fatalmente doentes ou não – sofrer.

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